sábado, 30 de abril de 2011

Introdução do romançe:

   Um dos mais belos romances da nossa literatura romântica, Iracema é considerado por muitos “um poema em prosa”. A trágica história da bela índia apaixonada pelo guerreiro branco é contada por José de Alencar com o ritmo e a força de imagens próprios da poesia.
    Em Iracema, José de Alencar construiu uma alegoria perfeita do processo de colonização do Brasil e de toda a América pelos invasores portugueses e europeus em geral. O nome Iracema é uma anagrama da palavra América. O nome de seu amado Martim remete ao deus greco-romano Marte, o deus da guerra e da destruição.
    O autor demonstra, já a partir do título, um evidente trabalho de construção de uma linguagem e de um estilo que possam melhor representar, para o leitor, “a singeleza primitiva da língua bárbara”, com “termos e frases que pareçam naturais na boca do selvagem”.
     O livro foi publicado em 1865 e, em pouco tempo, agradou tanto aos leitores quanto aos críticos literários, a começar pelo jovem Machado de Assis, então com 27 anos, que escreveu sobre Iracema no Diário do Rio de Janeiro, em 1866:
     “Tal é o livro do Sr. José de Alencar, fruto do estudo e da meditação, escrito com sentimento e consciência… Há de viver este livro, tem em si as forças que resistem ao tempo, e dão plena fiança do futuro…Espera-se dele outros poemas em prosa. Poema lhe chamamos a este, sem curar de saber se é antes uma lenda, se um romance: o futuro chamar-lhe-á obra-prima.”

Exercicios sobre o romance:

1. A respeito do romance Iracema, pode-se afirmar que
a) trata das relações cordiais existentes entre o colonizador europeu e o índio brasileiro.
b) através de Moacir, filho de Martim e de Iracema, apresenta uma metáfora do nasci­mento da nação brasileira.
c) retrata a destruição dos guerreiros franceses pelos índios do litoral brasileiro.
d) aponta a supremacia da cultura indígena através da transformação de Martim em Coatiabo.
e) mostra o processo de destruição da cultura indígena que a catequese ajudou a provocar.        
2. Com as expressões “ a virgem dos lábios de mel” e “cabelos negros como a asa da graúna”, o narrador pretende:
a) fazer de Iracema um protótipo da beleza feminina genuinamente brasileira.
b) ironizar a figura do índio.
c) comparar somente a índia com a natureza.
d) sensibilizar o português que não vê uma beleza exótica.
e) mostrar a vaidade arraigada na alma indígena.
3. (UFRS) Considere as seguintes informações:
I. Pode-se afirmar que o Romantismo brasileiro foi a manifestação artística que mais bem expressou o sentimento nacionalista desenvolvido com a Independência do país.
II. Os romancistas românticos, preocupados com a formação de uma literatura que expressasse a cor local, criaram romances considerados regionais, mais pela temática do que pela linguagem.
III. A tendência indianista do Romantismo brasileiro tinha por objetivo a desmistificação do papel do índio na história do Brasil desde a colonização.
Quais estão corretas?
a) apenas I
b) apenas II
c) apenas I e II
d) apenas I e III
e) I, II e III
4. (UFJF) Em relação ao Romantismo brasileiro, assinale a única afirmação que não é verdadeira:
a) Expressão de nacionalismo através da descrição de costumes e regiões do Brasil.
b) Análise crítica e científica dos fenômenos da sociedade brasileira.
c) Desenvolvimento do teatro nacional.
d) Expressão poética de temas confessionais, indianistas e humanistas.
e) Caracterização do romance como forma de entretenimento e moralização.
5. (UFPA) Na época da Independência do Brasil, quando nosso país precisava auto-afirmar-se como nação, entrou em vigência entre nós um estilo de época que, pelos ideais de liberdade que professava através de sua ideologia, se prestava admiravelmente a expressar esses anseios nacionalistas. Tal estilo foi:
a) o Romantismo.
b) o Barroco.
c) o Realismo/Naturalismo.
d) o Modernismo.
e) o Neoclassicismo.
6. (ESPM-SP) Qual o nosso principal romancista do Indianismo?
7. (Mack-SP) José de Alencar tenta mostrar um painel de relações do índio brasileiro com o homem europeu. Mostra, inclusive, o índio antes da chegada dos portugueses, o princípio de sua miscigenação e, posteriormente, o mesmo já totalmente cristianizado, num estado de quase servidão em relação ao homem branco.
Assinale a alternativa em que aparecem, respectivamente, nomes de romances que exemplifiquem tais temáticas.
a) Iracema, Ubirajara, O Sertanejo.
b) As Minas de Prata, Til, O Sertanejo.
c) Lucíola, A Pata da Gazela, Ubirajara.
d) Ubirajara, Senhora, Til.
e) Ubirajara, Iracema, O Guarani.
8. Em Iracema, a personagem Martim evidencia:
a) o europeu que odeia o elemento nativo.
b) um brasileiro criado em Portugal que retorna à sua terra.
c) um filho de imigrantes que se propõe a colonizar nossa terra.
d) a união de duas raças, gerando uma nova nação.
e) a superioridade européia relativamente ao índio.
                                                                        
9. Relativamente à cultura nativa representada em Iracema, é possível observar que
a) os indígenas compunham um único povo, cujas tradições mantinham.
b) havia nações indígenas que cultivavam antagonismo.
c) os indígenas dessa obra alencariana já estavam aculturados.
d) havia o costume de casar com estrangeiros.
e) Iracema simbolizava a infertilidade nacional.
                                                                 
10. Sobre o Indianismo de Alencar, é correto afirmar:
a) o índio foi posto em situação inferior ao herói da literatura européia.
b) o escritor incluiu dados do regionalismo do Brasil central.
c) a obra O Cabeleira é a maior representação do gênero.
d) Iracema e Ubirajara têm a mesma visão do índio brasileiro.
e) Iracema e Ubirajara mostram momentos distintos do índio brasileiro.

Video aula com professor do Anglo que resume o romance Iracema

Aspectos tematicos da obra:

Um dos propósitos de Alencar, ao conceber Iracema, foi, sem dúvida, mostrar como se deu a formação do Ceará, sua terra natal - a terra onde "canta a jandaia", como significa "Ceará" ao pé da letra, e explica o autor: "Ceará é nome composto de cemo - cantar forte, calmar, e ara - pequena arara ou periquito".
Como se viu pelo enredo, Moacir, fruto da união de Martim (branco) com Iracema (índio), é o "primeiro cearense". A conquista da terra pelo branco, ocorrida nos primórdios do século XVII, deu-se através de lutas sangrentas em que os portugueses contaram com a valiosa ajuda dos índios pitiguaras, que habitavam o litoral.
Ao retratar o mundo selvagem e primitivo dos índios, Alencar reveste a sua prosa de um tom poético e ingênuo, tentando, assim dar uma visão da realidade focalizada a partir da ótica do índio: as imagens, as comparações, a forma de exprimir mostram o índio integrado no seu “habitat” natural e como que sugerem o nascimento de um mundo novo; penetrando nas entranhas da terra virgem e selvagem, o branco conquistador iria fazer brotar uma nova raça.
Já foi observado que Iracema é anagrama da América, isto é, Iracema tem exatamente as mesmas letras de América, numa outra ordem. Assim, simbolicamente, a morte da índia, no final da estória, pode representar a aniquilação da cultura nativa pela invasora que conquista e domina a terra.
De sentido igualmente simbólico se reveste a oposição de Irapuã ao
hóspede branco (Martim), protegido por Araquém. Ao opor-se a ele, o guerreiro
tabajara não quer defender o amor que nutria pela virgem dos lábios de mel; sua resistência é, antes, em defesa da preservação da cultura indígena e do “segredo de Jurema”. Do qual Iracema era guardiã. Violada a sua virgindade pelo invasor branco, fatalmente as tribos seriam dizimadas e aniquiladas.
Assim, embora possa parecer o “vilão da estória”, opondo-se a Martim, o gesto de Irapuã reveste-se de nobreza e grandeza, pois outro lado, a conduta de Iracema (e também Poti), que se aliam ao conquistador branco, é passível de condenação. Como se viu, Iracema morre, desfigurada pela dor e pelo estrangulamento cultural; Poti, descaracterizado e tornado cristão, recebe o batismo de gente civilizada e passa a se chamar Antônio Felipe Camarão...

Caracteristicas romanticas da obra:

- Imaginação criadora/Subjetividade
Criações não existentes no mundo real, mas na imaginação do autor sim. Iracema é era descrita de uma forma totalmente diferente dos índios que realmente existiam nas matas do Brasil.
” O favo da jati não era doce como seu sorriso; nem a baunilha recendia no bosque com seu hálito perfumado”.(ALENCAR, 2006, p. 12).
-Sentimentalismo
O sentimentalismo está presente em toda a obra de José de Alencar.
“Sofreu mais d’alma que da ferida”. (ALENCAR, p.13)
-Escapismo
Religioso- “O cristão repeliu do seio a virgem indiana. Ele não deixará o rasto da desgraça na cabana hospedeira. Cerra os olhos para não ver; e enche sua alma com o nome e a veneração de seu Deus: – Cristo !… Cristo! …”. (ALENCAR, 2006, p. 29).
Escapismo para os sonhos- “Agora podia viver com Iracema, e colher em seus lábios o beijo, que ali viçava entre sorrisos, como o fruto da corola na flor.Podia amá-la, e sugar desse amor o mel e o perfume, sem deixar veneno no seio da virgem  “. (ALENCAR, 2006, p.30).
Escapismo para a morte- “Quando teu filho deixar o seio de Iracema, ela morrerá, como o abati depois que deu seu fruto. Então o guerreiro branco não terá mais quem o prenda na terra estrangeira”. (ALENCAR, 2006, p. 51).
-Nacionalismo (Ufanismo)
Necessidade de eleger símbolos que representem à pátria (natureza e o índio).
- Idealização
Heroína/ Amor/ Natureza
“A virgem dos lábios de mel, que tinha os cabelos mais negros que a asa da graúna, e mais longos que o talhe de palmeira. O favo da jati não era doce como seu sorriso; nem a baunilha recendia no bosque com seu hálito perfumado. Mais rápida que a ema selvagem, a morena virgem corria o sertão e as matas do Ipu, onde campeava sua guerreira tribo, da grande nação Tabajara. O pé grácil e nu, mal roçando, alisava apenas a verde pelúcia que vestia a terra com as primeiras águas”. (ALENCAR, 2006, p.12).
“Nunca mais a alegria voltará ao seio de Iracema: ela vai ficar, como o tronco nu, sem ramas nem sombras”. (ALENCAR, 2006, p. 28).
“Verdes mares bravios de minha terra natal, onde canta a jandaia nas frondes da carnaúba;
Verdes mares, que brilhais como líquida esmeralda aos raios do sol nascente,perlongando as alvas praias ensombradas de coqueiros;” . (ALENCAR, 2006, p. 11).
-Maniqueísmo
- Indianismo
Resgata o ideal do “bom selvagem”, que segundo Rosseau a sociedade corrompe o homem. Sua perfeição seria índio que não tinha contato com a sociedade corrompida.
- Religiosidade
“Poti foi o primeiro que ajoelhou aos pés do sagrado lenho; não sofria ele que nada mais o separasse de seu irmão branco. Deviam ter ambos um só deus, como tinham um só coração”. (ALENCAR, 2006, p. 87).

Tempo e Espaço retratado no romance:

Tempo
No romance predomina o tempo cronológico que é marcado pelos ritmos da natureza, ou seja, é delimitado pelos elementos da natureza como a mudança de estações, mudança das luas e pela mudança dos dias. Por fim podemos perceber que o tempo histórico ocorre no descobrimento do Brasil, mais especificamente no século XVII, já que o livro retrata a luta para a expulsão dos holandeses do nordeste.
“Tempos depois, quando veio Albuquerque, o grande chefe dos guerreiros brancos, Martim e Camarão partiram para as margens do Mearim a castigar o feroz Tupinambá e expulsar o branco Tapuia”.(ALENCAR,2006, p.87).
Espaço
É visto no Romance Iracema a valorização da cor local. O autor usa de adjetivos para caracterizar as paisagens do Ceará. Ele apresenta a cor local brasileira quando se refere às praias, rios e florestas e ainda podemos ressaltar as referências de lugares como Porangaba e Mecejana.